Na guerra dos navegadores, Opera aposta na internet gratuita

Empresa prevê lançar, no próximo trimestre, serviço de dados gratuitos para atrair usuários do navegador mobile no Brasil

Os três maiores navegadores de internet, segundo o monitor Browser Market, são nativos de sistemas operacionais, ou seja, já equipam os smartphones e computadores no momento em que saem das fábricas. Juntos, Google Chrome, Apple Safari e Microsoft Edge representam um universo de 88% de todo o mercado global de browser.


No Brasil, as posições seguintes são intercaladas por outras soluções que apresentam melhor desempenho em determinadas regiões do país, em grupos específicos de usuários ou por plataforma de navegação. A norueguesa Opera é uma das que lideram na navegação por smartphone, com um serviço focado na economia de dados e na privacidade online.


Um dos motivos que fizeram a empresa ficar conhecida no país, inclusive, ainda nos anos 2000, foi a diminuição do tempo de carregamento das páginas de internet, o que fazia por meio da compactação de imagens. O modelo de negócio foi tão bem sucedido que, em 2012, a companhia chegou a entrar na lista de compras do Facebook, mas o negócio não foi para a frente.


Para os próximos anos, uma das apostas da companhia listada em Nasdaq para ganhar mais relevância é a oferta de serviços para o público de baixa renda, conforme destacou Juliana Psaros, diretora de Marketing da Opera no Brasil. Em primeira mão ao InfoMoney, a empresa detalhou o projeto de oferecer um serviço de internet gratuita aos brasileiros, que viabiliza o consumo de dados sem nenhum desembolso mensal por parte dos usuários.


A parceria é negociada com um patrocinador local que vai financiar o serviço a ser intermediado pelas principais operadoras, trazendo ao Brasil uma estratégia já executada em outros países, como África do Sul, Nigéria e Quênia. Nesses locais, desde 2020, os usuários recebem entre 50MB e 100 MB de internet todos os dias para uso exclusivo no navegador da marca.


“Quando falamos sobre uso da internet, o Brasil é um dos maiores mercados do mundo, onde as pessoas passam grande parte do dia conectadas. Apesar disso, é uma população que tem problemas de acesso porque os dados para celular ainda são caros para grande parte”, destaca Juliana.


“Essa estratégia foi muito eficiente em vários países da África, onde temos mais de 100 milhões de usuários mobile. Basicamente, os brasileiros vão poder navegar com uma cota diária patrocinada pela Opera. Estamos trabalhando com as principais operadoras do país, com previsão de início para o segundo semestre deste ano”, antecipa a executiva.


Outra frente de expansão é a oferta de promoções, em parceria com lojas de produtos e serviços. No começo do ano, o Opera para Android chegou a ficar entre os aplicativos mais baixados da Play Store, em ocasião de uma parceria com a Shopee, que oferecia vales-compras quando os usuários balançavam o smartphone.


A empresa também mantém um programa de cashback, que garante o acúmulo de pontos durante as compras, com posterior resgate em reais ou em produtos. Essa é uma indústria que movimentou R$ 11 bilhões no Brasil no ano passado, de acordo com levantamento da Cuponomia, e que levou novas companhias à bolsa de valores, caso da Meliuz (CASH3) e Dotz (DOTZ3).


“De janeiro a junho, tivemos um crescimento de 96% na base de usuários, então estamos vendo que o Opera traz soluções que são relevantes ao mercado brasileiro. Não só existe interesse pela entrega de benefícios, mas a navegação e o navegador estão conectados com a demanda real do país”, pontua. Juliana.


De olho na inteligência artificial e na Web 3.0

Apesar de qualquer oferta de serviços, o que deve sustentar a navegação nos próximos anos, para a companhia, é a integração com a inteligência artificial. Foi pensando nisso que a Microsoft e o Google já deram os primeiros passos, incluindo sistemas generativos em seus respectivos buscadores.


Para não ficar atrás, a Opera fez uma parceria com a OpenAI, que possibilitou o lançamento de seu próprio modelo de ChatGPT, batizada de Ária. Psaros explica que, diferente de outras tecnologias que são baseadas em dados anteriores a 2021, o portfólio da Ária tem atualizações mais recentes, que permite achados com base em dados recorrentes da própria internet.


“A Ária traz como diferencial uma total integração com a experiência online. Acreditamos em uma navegação orgânica, em que as pessoas fazem diversas tarefas simultaneamente, então a inteligência artificial é chave deste processo”, destaca.


Olhando ainda mais ao horizonte, a empresa tem feito investimentos na chamada Web 3.0, nome pelo qual é chamada a internet do futuro, que deve ter um padrão descentralizado de informações. Embora esta versão esteja distante de grande parte da população mundial, uma estimativa da consultoria McKinsey aponta que ela já movimenta US$ 3 trilhões ao redor do planeta, e o Brasil contaria com 10 milhões de usuários ativos.


A ideia desta evolução da rede se confunde com a dos criptoativos, já que ambos se baseiam na manutenção de um protocolo aberto da rede mundial de computadores. Neste modelo, os ativos virtuais -como bitcoin- têm papel central no negócio, servindo como moeda de garantia, seja para garantir contratos ou ‘tokenizar’ ativos.


“No ano passado, lançamos um navegador exclusivo para Web 3.0, mas, além disso, todos os outros produtos integram uma carteira de criptos, onde os usuários conseguem armazenar, comprar e vender os ativos digitais. Entendemos que este é o primeiro passo para começarmos a conversar com a nossa audiência sobre a Web3”, finaliza Psaros.


*InfoMoney