"Jogo do Tigre": influenciadores presos ganhavam até R$ 15 mil para atrair vítimas à plataforma

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O Fortune Tiger, popularmente como “Jogo do Tigre”, atraiu milhões de brasileiros com a proposta de gerar lucros elevados sem muito esforço, utilizando apenas o celular. O aplicativo, que essencialmente funciona como um jogo de azar, gerou polêmica após a polícia descobrir que alguns usuários teriam cometido suicídio depois de perderem grandes quantias.


Conforme divulgado no domingo (05) pelo Fantástico, a Polícia Civil do Paraná prendeu três homens envolvidos na promoção do app em uma operação que investiga o grupo criminoso responsável pelo esquema de apostas. Eduardo Campelo, Gabriel e Ricardo foram detidos em 19 de novembro. Ezequiel, quarto integrante da equipe, não foi encontrado.

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Jogos de azar como o "Fortune Tiger" são ilegais no Brasil (Imagem: Reprodução)

Os influenciadores publicavam vídeos em redes sociais com discursos de enriquecimento rápido e simples. Trata-se de pessoas contratadas pelo desenvolvedor do aplicativo para atrair vítimas à plataforma. “Eu estou falando que essa plataforma tá um mel. R$ 1.500”, disse um dos influenciadores em um dos vídeos em que supostamente ganha a quantia.


“Olha aí, minha rapaziada. Ex-motoboy comprando carro de R$ 1 milhão”, afirmou Eduardo Campelo, um dos influenciadores presos no Paraná, em um dos vídeos publicados nas redes sociais para atrair novos usuários ao jogo.


Ao instalar o aplicativo, as vítimas eram induzidas a depositar valores e apostar em uma espécie de “caça-níqueis”. Como qualquer jogo de azar, o “Jogo do Tigrinho” possui algoritmos que favorecem o operador da plataforma, portanto, o objetivo é sempre fazer com que as vítimas percam mais dinheiro do que ganham.

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(Imagem: Reprodução)

Eduardo Campelo, Gabriel, Ricardo e Ezequiel ganhavam entre R$ 10 e R$ 30 por cada novo jogador cadastrado nas plataformas, segundo a polícia. Além disso, ganhavam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por campanhas de sete dias de divulgação do jogo nas redes sociais. A estimativa é que o grupo tenha movimentado em torno de R$ 12 milhões em 6 meses.


Thiago Dantas, delegado da Polícia Civil do Paraná, afirma que vítimas contataram a delegacia relatando ter supostamente lucrado no jogo, contudo, a plataforma se recusava a pagar o valor que teriam faturado no caça-níqueis.


Muitas vezes, os sites de jogos de azar são hospedados no exterior, o que dificulta a ação da Justiça. A pena para aqueles que operam esse tipo de jogo é multa ou prisão. Os jogadores também podem ser penalizados. A polícia agora investiga as contas dos influenciadores presos na tentativa de rastrear a origem dos pagamentos e os líderes da quadrilha.


Jogo de azar ou aposta?

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Sérgio Staut Júnior, diretor da faculdade de direito da UFPR, destaca que jogos de azar são diferentes de sites de apostas. Segundo o especialista, jogos de azar possuem resultados baseados em um algoritmo manipulável pelo computador, portanto, são ilegais.


“Já as ‘bets’ (jogos de apostas) têm uma regulamentação. Tem uma lei que permite esse tipo de aposta, em que você aposta em um resultado”, afirma Sérgio. Os jogos de apostas mais populares do país costumam ser relacionados a esportes, principalmente o futebol.


Fortune Tiger foi removido da Play Store

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Noticiamos no mês de outubro que uma das versões do “Jogo do Tigrinho” havia sido removida da Google Play Store, a loja oficial de aplicativos para Android. Antes de ser retirado, o aplicativo havia registrado mais de 2,5 milhões de downloads em apenas um mês no Brasil, ficando entre os dez aplicativos mais baixados no país.


Embora tenha desaparecido de uma das principais lojas de aplicativos do mundo, é importante alertar que variações do jogo de azar podem ainda estar funcionando na web.


*TudoCelular