Rabbit R1: O que a sensação da CES 2024 revela sobre o futuro da IA

Para além do gadget, o diminuto dispositivo de mão reflete a busca por uma interação mais natural com a tecnologia

Alsorsa.News

Das enormes (literalmente) novidades da CES 2024 – que incluem desde TVs gigantes a carros elétricos avantajados – o pequenino Rabbit R1 emergiu como um destaque intrigante. Desenvolvido pela startup Rabbit, esse dispositivo diminuto não só capturou a atenção com suas vendas impressionantes – 40.000 unidades em apenas oito dias – mas também levantou um debate: estamos diante de uma verdadeira inovação ou apenas mais um gadget em busca de um lugar na vida das pessoas?


Mas antes de entrar nesse debate, o que afinal o Rabbit R1 faz? Em resumo: é um dispositivo com inteligência artificial capaz de usar a internet e os aplicativos pra você. Tudo aquilo que você controlaria com os dedos através de um smartphone, o Rabbit R1 faz ouvindo seus comandos de voz. É um companheiro inteligente de bolso.


Então ele vem pra substituir o smartphone? Jesse Lyu, CEO e fundador da Rabbit, tem uma visão afirma que o objetivo não é substituir imediatamente os smartphones, mas sugere que o dispositivo tem o potencial de fazê-lo no futuro. Ou seja, enquanto o R1 pode não ser uma solução completa agora, ele pode ser um passo significativo em direção a uma nova forma de interação com a tecnologia. E o preço também é atraente: apenas US$ 199, uma fração do que custam os melhores smartphones do mercado, e sem necessidade de assinaturas extras.


Design e IA: A união de sucesso

A primeira coisa que salta aos olhos sobre o Rabbit R1 é seu design, uma colaboração com a Teenage Engineering. Compacto, com uma tela touchscreen de 2,88 polegadas e uma câmera rotativa, ele tem cara de um minigame, se parecendo muito com o Playdate. Porém, o coração do dispositivo é o Rabbit OS, um sistema operacional baseadoem IA que utiliza LAM (Large Action Model) e oferece uma infinidade de possibilidades.


Tá, mas o que é LAM: é uma abordagem de inteligência artificial que permite ao dispositivo executar tarefas em interfaces comuns de usuário – como websites e aplicativos – em vez de depender de APIs. Por exemplo, ao invés de usar uma API dedicada para fazer um pedido em um site de pizza, o LAM pode simular a maneira como um humano navega no site e fazer o pedido clicando em botões e preenchendo campos automaticamente de acordo com seu comando de voz.


O fato de o modelo ser descrito como “Large” (Grande) pode indicar que ele foi treinado com um extenso conjunto de dados, abrangendo uma ampla gama de tarefas e situações. No fim das contas, a intenção é permitir uma interação mais natural e intuitiva com a tecnologia, bem diferente do que acontece hoje com os tradicionais assistentes de voz (tô olhando pra vocês, Alexa e Siri).


Além disso, o dispositivo possui uma câmera rotativa que serve tanto para identificar pessoas e objetos quanto para interagir com a IA. Por exemplo, na demonstração, Jesse Lyu usou o Rabbit R1 para identificar os itens de uma geladeira e sugerir uma receita com base no conteúdo.

O R1 não está sozinho nessa busca: outros dispositivos inovadores como o Hu.ma.ne e o Nimo Planet refletem um interesse crescente por alternativas aos smartphones. Embora não sejam perfeitos, cada um oferece abordagens que podem ser precursoras de mudanças significativas nos sistemas operacionais e nas nossas interações com IA.


Apesar do entusiasmo inicial em torno do Rabbit R1, nem todos estão convencidos. Alguns críticos destacam preocupações com o design e a funcionalidade do dispositivo. Por exemplo, a questão da ergonomia para usuários canhotos não parece ter sido pensada. Outro ponto de crítica é a presença de partes móveis, como a câmera rotativa, que vão contra o princípio de design de minimizar componentes móveis. Além disso, a funcionalidade do scroll wheel é questionada, ele inclusive foi pouco utilizado durante a apresentação. São detalhes que sugerem que, apesar do design atraente, o Rabbit R1 pode ter falhas práticas significativas.


Para além do gadget

De qualquer forma, o que mais importa nesse lançamento do Rabbit R1 não é apenas seu interesse imediato; o dispositivo em si. Ele representa um tema de debate mais amplo sobre o futuro da tecnologia e da interação humano-IA. Embora ainda haja dúvidas sobre seu verdadeiro impacto e eficácia, o consenso geral é que ele pode ser um indicativo de tendências futuras, talvez até moldando as funcionalidades dos smartphones de amanhã. Ainda é cedo para dizer se o Rabbit R1 será o novo iPhone e vai andar por aí nos bolsos e bolsas de todo mundo ou se é apenas mais um passo no caminho.